terça-feira, 19 de abril de 2011

O Homem e a Mulher

O homem é a mais elevada das criaturas; a mulher, o mais sublime dos ideais.  
Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.  
O trono exalta e o altar santifica.    
O homem é cérebro; a mulher, coração.  
O cérebro produz a luz; o coração produz amor.  
A luz fecunda; o amor ressuscita.    
O homem é o gênio, a mulher o anjo.  
O gênio é imensurável; o anjo é indefinível.    
A aspiração do homem é a suprema gloria; a aspiração da mulher é a virtude extrema.  
A gloria promove a grandeza e a virtude, a divindade.    
O homem tem a supremacia; a mulher, a preferência.  
A supremacia significa forca; a preferência representa o direito.    
O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lagrimas.  
A razão convence e as lagrimas comovem.    
O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, detodos os martírios.    
O heroísmo enobrece e o martírio purifica.    
O homem pensa e a mulher sonha.  
Pensar é ter uma palavrano cérebro; sonhar é ter na fronte uma aureola.      
O homem é a águia que voa; a mulher, o rouxinol que canta.  
Voar é dominar o espaço e cantar é conquistar a alma.    
Enfim o homem esta colocado onde termina a terra;  a mulher, onde começa o céu.       
Victor Hugo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Indecisão

Quantas oportunidades perdemos devido a um momento de indecisão?
Quantos não's?
Quantos sim's?
Quantos amores não vividos? quantos vividos e arrependidos do sim ou do não???
Dizem que Indecisão é quando sabemos muito bem o que queremos mas achamos que deviamos querer outra coisa.
Difícil? Acredito que não!
POis, acredito que dói muito mais o arrependimento de algo que não fizemos do que de algo que fizemos.
Quantas profissões deixamos de conhecer pela nossa indecisão???
Quanto mais nos conhecemos mais decididos ficamos, pois quando decidimos assumimos o risco.
Nosso poder de barganha aumenta!
Nossa criatividade extrapola porque quando estamos decididos somos positivos.
E pessoas positivas sabem que o fracasso não existe e significa que traçamos algo errado, que pegamos o caminho errado.
Mas acredito que a indecisão no inicio e quando controlada ela nos educa. Primeiro porque as vezes " quebramos a cara " e mudamos
de tática ficamos mais experientes e consequetemente mais decidos.
Acredito que a indecisão seja filha do medo, do receio, da falta de coragem... da insegurança.
Sabemos sempre que : Pode dar certo! OU pode não dar certo! e ai??
Ficaremos parados esperando o tempo e a vida passarem em nossa frente??
O dia a dia sempre nos dá uma oportunidade para ter um momento ou uma palavra de decisão.
Aprendendo a lidar com a indecisão estamos aprendendo a pensar sempre um pouco mais antes de agir, falar ou decidir.
Pense nisso!
E sugiro que decida ser feliz! rsrrs
você merece!
Pense menos. Aja mais. Dê mais valor aos seus sentimentos, seus impulsos, seus desejos. Deixe que eles tomem conta de vez em quando. A vida não é feita de planos perfeitos e o que nós somos não é feito de decisões certas, mas de erros e das lições aprendidas com eles.

E então? Já pensou em se jogar na vida nos momentos em que você mais merece dela?

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Nem tudo é fácil - Cecilia Meireles

"É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...
Mas com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses desejos, realidade!!!"

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A mulher das bofetadas

Nada melhor do que começar com um texto de Nelson Rodrigues.
As mulheres enfeitam demais, mas os homens nunca percebem o que acontece de verdade. Não existi essa de principe encantado...  todos querem as mesmas coisas... e o fim é esse... Tudo Acaba em Pizza ou Sexo ! Mas vamos ler como começa...



Chegou atrasado no emprego. Tirava o paletó, quando o Carvalhinho veio avisar:
— Olha, telefonaram pra ti.
— Homem ou mulher?
— Mulher.
— Deixou recado?
— Não. Disse que telefonava depois. Arregaçando as mangas, bufou:
— ok! ok!
Uns dez minutos depois, estava pondo em ordem uns pa­péis, quando o telefone bate novamente. O contínuo, que aten­deu, berrou:
— Aristides!
Larga o serviço e apanha o telefone. Era uma voz feminina que, a princípio, não identificou. A pessoa perguntava: — “Não me conheces mais?”. Aristides, já impaciente, foi quase gros­seiro:
— Quer dizer quem fala? Estou ocupadíssimo e não posso perder tempo.
Há uma pausa e, finalmente, a voz responde:
— Sou Dorinha.
Aristides quase cai para trás, duro.
Dorinha era o seu amor jamais esquecido ou, melhor, a sua dor-de-cotovelo confessa e imortal. Que idade teria ela, no momento? Uns vinte e cinco anos. Tinham se namorado na adolescência. Por um motivo bobo, haviam brigado. E quan­do Aristides, devorado pela nostalgia, quis voltar, ela já estava apaixonada por um outro, o Gouveia. Durante uns seis meses, Aristides andou pensando, dia após dia, em meter uma bala na cabeça. Acabou renunciando ao suicídio, mas ficou-lhe, para sempre, o sofrimento surdo. Dorinha casara-se com o Gouveia, tinha dois filhos de Gouveia. E sempre que a via, acidentalmente, na rua, Aristides precisava tomar um pileque dantesco. E, súbi­to, ela telefona, a inesquecível, a insubstituível Dorinha! Ao im­pacto da surpresa, gagueja:
— Ah, como vai você?
— Bem. E você?
— Navegando.
E, então, Dorinha diz-lhe:
— Preciso muito falar contigo.
— Comigo? E quando?
— Já.
— Pois não. Estou às tuas ordens. — E, na sua ternura so­frida, pergunta: — Tu sabes que mandas em mim, não sabes?
Combinaram o encontro, para daí a vinte minutos, numa sorveteria da rua da Carioca.
Aristides largou o serviço, que estava atrasadíssimo, e correu para o elevador. Daí a dez minutos, estava no local. Encontrou-a mais linda, mais fresca do que nunca. Diante da mulher que nun­ca deixara de amar, não se conteve. Com o coração disparan­do, começou:
— Sou todo teu. Nunca deixei de te amar.
Tomando refresco, com canudinho, Dorinha vai falando:
— Eu preciso de um favor teu. Mas quero que prometas que não pensarás mal de mim.
O espanto do rapaz foi uma coisa sincera e profunda:
— Você acha que eu posso fazer má idéia de ti? Oh, Do­rinha!
Então, sem desfitá-lo, Dorinha disse:
— Meu marido partiu hoje, ao meio-dia, para São Paulo. De hoje para amanhã, eu sou uma espécie de solteira ou, então, de viúva. De qualquer maneira, uma mulher livre. Pensei em você, que merece toda a minha confiança e… Está compreendendo?
Numa confusão total, balbuciou:
— Mais ou menos.
E ela:
— Para falar português claro: — estou oferecendo a minha tarde. Leva-me!
Deslumbrado, exclama:
— Oh, Dorinha!
Ele pagou, trêmulo, a despesa.
Saem e, lá fora, Dorinha observa:
— Mas não devo me expor. Arranja um interior, sim?
Acontece que Aristides mantinha, de sociedade com um amigo, um apartamento em Botafogo. Cheio de escrúpulos, bai­xa a voz: — “Eu tenho um lugar, assim, assim, discretíssimo”. Dorinha interrompe: — “Ótimo!”. Tomam um táxi, que ia pas­sando. A caminho de Botafogo, a pequena começa:
— Você, naturalmente, está espantado e querendo uma ex­plicação.
Protesta, veemente:
— Explicação nenhuma! Basta o fato em si! Você está aqui, comigo, a meu lado, e não interessam os motivos, argumentos, nada!
Quando entraram, uns quinze minutos depois, no aparta­mento, Aristides não sabia o que dizer. Ainda uma vez, Dori­nha toma a iniciativa:
— Você não me beija?
Ofereceu-lhe a boca. Aristides experimentou uma espécie de vertigem. O primeiro beijo, depois de tanto tempo, foi uma dessas coisas que marcam para sempre. Em seguida, ele a carre­ga no colo, como uma noiva de fita de cinema. Uma hora e pou­co depois, já a noite entrara no apartamento e Dorinha estava diante do espelho, refazendo a pintura. Aristides veio, por trás, beijar-lhe os ombros nus; e suspira:
— Eu não sabia que gostavas tanto de mim!
Dorinha vira-se, com divertida surpresa:
— Mas eu não gosto de ti.
Atônito, pergunta:
— E isso que aconteceu entre nós? Não conta?
A pequena está de pé:
— Era a explicação que eu queria te dar e que tu recusaste. O meu marido, ontem, discutiu comigo e me deu uma bofeta­da. Estou aqui por causa da bofetada. Mas amo o meu marido e só meu marido.
Ele insiste, desesperado:
— Quer dizer que não vamos continuar?
Responde:
— Depende. Se meu marido me bater outra vez, já sabe: — eu telefono pra ti.
Sem uma palavra, na maior humilhação de sua vida, dei­xou-a partir.
Mas quando a porta fechou-se atrás da pequena, ele caiu, de joelhos, no meio do quarto, mergulhou o rosto nas mãos e soluçou como uma criança.
Durante uma semana, ele foi o ser mais humilhado e mais ofendido da Terra. Dizia de si para si: — “A cínica! A cínica!”. E pior é que era incapaz de sentir atração por qualquer outra mulher. Uns quinze dias depois, ele atende o telefone: — era ela. Perguntava, alegremente:
— Vamos lá, outra vez?
Foram. E, no apartamento, ela suspira:
— Imagina, deu-me outra bofetada.
Encontraram-se outras vezes, sempre em função de novas bofetadas. Até que, uma tarde, entre um beijo e outro, ela ex­clama:
— Os homens são muito burros!
— Por quê?
E Dorinha:
— Tu não percebeste que não houve bofetada nenhuma? Que meu marido não me esbofeteou nunca? E que eu te amo, te amo e te amo?